11 de novembro de 2009

Dói _ Cidadão Instigado

eu tenho tentado lhe dizer algumas coisas
há bastante tempo
perdi as minhas forças por você, e hoje
meu peito dói, dói, dói, por algum motivo e eu não
consigo achar
minha alma cai, cai, cai, de vez em quando eu sofro
e eu continuo a me preocupar
perdido no vazio desse sentimento
me encontra amanhã
pra gente conversar
desse sentimento
me encontra amanhã...

e mesmo que falte a coragem, ou sobrem, sobrem
palavras tolas
a gente pode rir, ou até mesmo chorar

tentei me aproximar por tantos motivos
mas fiquei só
esperando insistentemente
pra encontrar contigo
e te dar milhões de beijos sem ficar ouvindo
cobranças de amor
e encontrar você sorrindo
no meu coração, no meu coração
e te dar milhões de beijos sem ficar ouvindo
cobranças de amor
e encontrar você sorrindo
no meu coração...outra vez

minha alma cai, cai, cai
de vez em quando eu sofro

3 de outubro de 2009


que o mundo dá voltas isso dá,
mas agora vou esperar deitada a volta completar

28 de setembro de 2009

joelho voltando pro lugar, já cabeça...anda por ai, por vários lugares menos em cima do pescoço.

25 de setembro de 2009

por vezes sinto uma desesperança, desesperança do tempo, de que não vai dar. Dar o que? são os quereres todos? porque de viver vai dar até o fim.

18 de setembro de 2009

como diz uma sábia amiga: tô com a minha senha na mão, quando chamarem meu número eu vou, tô com a minha senha...

nada mais...só uma senha na mão

31 de agosto de 2009

"A Ignorância" Milan Kundera

"Em grego, retorno se diz nóstos. Álgos significa sofrimento. A nostalgia é portanto o sofrimento causado pelo desejo irrealizado de retornar."

"Quanto mais forte é a sua nostalgia, mais ela se esvazia de lembranças. Quanto mais Ulisses se entristecia, mais ele esquecia. Pois a nostalgia não intensifica a atividade da memória, não estimula as lembranças, ela basta a si mesma, à sua própria emoção, tão totalmente absorvida por seu próprio sofrimento."

"E sobretudo, no estrangeiro Josef se apaixonou, e o amor é a exaltação do tempo presente. Seu apego ao presente afastou as lembranças, protegeu-o contra as invervenções delas; sua memória não se tornou menos maldosa, mas, neglicenciada, afastada, perdeu o poder sobre ele."

"Quanto mais vasto o tempo que deixamos para trás, mais irresistível é a voz que nos convida ao retorno. Essa frase parece evidente e no entanto é falsa. O homem envelhece, seu fim se aproxima, os instantes se tornam cada vez mais preciosos e ele não tem tempo a perder com suas lembranças. É preciso compreender o paradoxo matemático da nostalgia: ela é mais poderosa na primeira juventude, quando o volume da vida passada é inteiramente insignificante. "

"A vida do homem dura em média oitenta anos. É contando com essa duração que cada um imagina e organiza sua vida. O que acabo de dizer, todo mundo sabe, no entanto raramente nos damos conta de que o número que nos cabe não é um simples dado quantitativo, uma caracetística exterior (como o comprimento do nariz ou a cor dos olhos), mas faz parte da própria definiçao do homem. Aquele que pudesse viver, com toda sua força, por um tempo duas vezes maior, portanto, digamos, cento e sessenta anos, não pertenceria à mesma espécie que nós. Nada mais seria parecido em sua vida, nem o amor, nem as ambições, nem os sentimentos, nem a nostalgia, nada. Se um exilado, depois de vinte anos no estrangeiro, voltasse a seu país natal ainda com cem anos de vida pela frente, certamente não sentiria a emoção de um Grande Retorno, é provável que para ele não se trataria absolutamente de um retorno, mas apenas de um dos muitos desvios no longo percurso de sua existência.
Pois a própria noção de pátria, no sentido nobre e sentimental dessa palavra, está ligada à brevidade relativa de nossa vida que nos dá muito pouco tempo para que nos afeiçoemos a outro país, a outros países, a outra línguas."

"A memória, ela também não pode ser compreendida sem uma abordagem matemática. O dado fundamental é a relação numérica entre o tempo da vida vivida e o tempo da vida armazenada na memória. Nunca se tentou calcular essa relação e aliás não existe nenhum meio técnico de fazer isso; no entanto, sem grande risco de engano, posso supor que a memória não guarda senão um milionésimo ou um bilionésimo, em suma, uma parcela ínfima da vida vivida. Isso também faz parte da essência do homem. Se alguém pudesse reter na memória tudo o que viveu, se pudesse a qualquer momento evocar qualquer fragmento do passado que quisesse, não teria nada a ver com os humanos: seus amores, nem suas amizades, nem suas raivas, nem sua faculdade de perdoar ou de se vingar se pareceriam com os nossos...Nada compreenderemos da vida humana se persistirmos em escamotear a primeira de todas as evidências: uma realidade tal qual quando ela existiu não existe mais; sua restituição é impossível."

"...ele não sabia nada dela, mas uma coisa parecia clara: ela estava apaixonada por ele; pronta para ficar com ele, para deixar tudo, para recomeçar tudo. Sabia que ela pedia socorro. Ele tinha uma oportunidade, certamente a última, de ser útil, de ajudar alguém e, no meio daquela multidão de estrangeiros que povoa o planeta, encontrar uma irmã. "
sobre o "Anticristo" do Lars von Trier

deu medo de ser mulher....e medo da natureza, que dizem que é mãe.

29 de agosto de 2009

a mistura da morte com a solidão, dá um aperto no peito essa combinação...

27 de agosto de 2009

eu não tomo tenência mesmo....

20 de agosto de 2009

se arrependimento matasse...

muito curioso a maneira como repetimos frases feitas e chavões como se fosse um pensamento próprio e dissessemos muito de nós mesmos, repetindo essas idéias.
Uma delas é a famosa "não me arrependo de nada do que fiz, só do que não fiz", toda vez (e não são poucas) que alguém solta essa frase confesso que me sinto um pouco alienígena, afinal só eu me arrependo?

me arrependo de coisas que fiz e preferia não ter feito ou feito diferente. Isso não quer dizer que fique aqui batendo nas costas e gritando "mea culpa" (se bem que às vezes isso acontece) mas sim que se hoje eu tivesse a oportunidade faria diferente ou simplesmente não faria.

Essa falta de arrependimento me soa como uma desculpa, como se o simples agir desculpasse qualquer erro, mágoa e machucado feito em outros tempos. Ou talvez seja apenas um reflexo do mundo de hoje, onde há uma certa urgência no viver, e não se pode perder tempo/espaço com o que já foi, afinal se arrepender é olhar pro passado e temos que correr pro futuro que é onde tudo acontece. O curioso é que quanto mais corremos pro futuro mais rápido ele se torna passado. cachorro correndo atrás do rabo.


"A vida que deixamos atrás de nós tem o mau hábito de sair da sombra, de queixar-se de nós..."
Milan Kundera "A Ignorância"